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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Keep Walking

Quando ninguém acredita em você. É assim que tenho me sentido ultimamente.
Quando você tem dado todas as suas energias possíveis para alcançar um objetivo na vida, mas ninguém coloca fé. Meus olhos inchados e os lençóis encharcados de lágrimas. É como eles estão agora. É o estado como eles vêm ficando faz um tempo.
Todos dizem:' você não vai conseguir, se continuar assim.' Parece que as pessoas tem prazer em ver a derrota de outras. Não deveria ser assim.
Só sei que as forças que me fazem continuar vem de dentro de mim. Algo mais forte, uma voz que diz: 'se você quer, você pode, você consegue.'
E então, o céu se abre e o sol aparece. Vejo que ainda há alguém que torce por mim. Mesmo que eu não saiba. E vem a motivação de continuar nessa luta. Pois sei que no final, tudo isso valerá a pena. Há algo maior que isso tudo.
Enxugo os olhos e coloco os lençóis molhados para secar ao sol. E sigo em frente. Eles acreditando ou não.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lembranças


Era simples. Ficava praticamente no meio do nada. Mas ao mesmo tempo no meio de tudo. Em volta havia um enorme campo onde, nos dias de verão, dava para colocar a esteira e fazer um pique-nique. Nesse campo também havia algumas árvores que davam frutos. Havia também muitas flores. De todos os tipos. Rosas, violetas, orquídeas, margaridas, girassóis e dentes-de-leão. Com a mudança das estações, as flores davam lugar aos frutos, que davam lugar as folhas amareladas e alaranjadas que caiam sobre a terra. A casa era feita de madeira. Uma varanda a rodeava. Havia também vários objetos feitos de palha como a rede e a cadeira de balanço que se mexiam devido ao vento que soprava.
Então ela entrou naquela pequena casa. Observou os móveis rústicos que decoravam o ambiente. Na sala, um velho (mas que parecia muito aconchegante) sofá, umas revistas e jornais espalhados pela mesa de centro e uma lareira que esquentava as frias noites de inverno daquele lugarejo. Ah, um detalhe que era curioso aos olhos de quem chegava alí: havia dois pares de chinelos velhos jogados no tapete. E na mesa de centro, junto aos jornais, havia duas canecas mais ou menos cheias de alguma bebida que ela não sabia ao certo dizer o que era. Em uma das canecas, pareceu-lhe café passado de alguns dias já. E na outra, o cheiro exalava algum outro tipo de bebida vinda dos sete mares desse mundo. Aquela casa era extremamente familiar. Mas ela não sabia o porquê. Não se lembrava ao certo se já vivera alí ou não.
Ela não entrou pelos outros cômodos da casa pois ficou curiosa ao ver uma pequena escada que dava ao andar superior. Estava escuro e por isso, acendeu a lamparina. Era um quarto. Havia uma cama de casal, duas cabeceiras, uma de cada lado. E cada uma delas havia um abajour. Os lençóis estavam esticados perfeitamente e bastante limpos. Naquele quarto também havia uma mesa com alguns papéis, mas ela não se interessou por eles. O que lhe chamou a atenção foi uma pequena e velha gaita que estava sobre a tal mesa.
Cuidadosamente, ela tirou a poeira que havia no velho instrumento de sopro e pôde ver gravadas duas iniciais, que não soube distinguir pelo modo grosseiro que foram entalhadas. Então, olhando para os papéis sobre a mesa, ela pôde perceber que havia alguns versos no papel e em outros, algumas partituras. Eram canções que não foram terminadas. O inicio de uma certa canção lhe veio a cabeça. Só o inicio. Pois não sabia o final. E então, percebeu que era a mesma canção dos rascunhos sobre a mesa.
De repente, ela se recordou de tudo e pôs-se a chorar. Dessa vez não eram lágrimas de alergia. Eram lágrimas e soluços infinitos de uma angústia sem fim. Ela finalmente se recordou daquele aconchegante lugar. Daqueles móveis, daqueles objetos, do sofá velho e dos pares de chinelo e também da gaita com as iniciais gravadas. Lembrou dele. Lembrou de tudo. E chorou pois nada daquilo a pertencia mais. Eram somente lembranças de outra vida. Uma vida que fora dela. Mas que diante de tantos acontecimentos, tivera que ficar guardada no passado.
Ela saiu daquele quarto, desdeu as escadas, correu pelos campos floridos. Quis sentir o vento sobre seus cabelos e seu rosto. Quis chorar. Quis esquecer. Quis não esquecer. Foi uma vida maravilhosa e ela queria tê-la de volta. Mas não podia. Já era tarde demais.
E chorou no silêncio de sua alma. Pois era tudo o que lhe restara.