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quarta-feira, 27 de julho de 2011
without
Ela tinha saudade de coisas que já não pertenciam mais a ela. Coisas que foram tiradas dela de repente. Muito de repente.
Saudade de conversas jogadas fora, das reuniões que faziam, das risadas infinitas e das rodas de violão. Cada acorde tocado agora ela lembrava dos momentos tidos com aquelas pessoas e da velha música que dizia que vida seria melhor no futuro, por cima de um muro.
Pessoas que estiveram alí em grande parte da vida dela. E tudo isso ela não podia mais ter. Por mais que tentasse consertar as coisas, nada seria como antes.
Certo dia – como a maioria dos dias – ela se viu pensando naquelas lembranças, naqueles momentos. Viu então a caixinha de fotos que ficava sob a prateleira de madeira. Abriu a caixa. Tirou todas as fotos e cartas de dentro. Olhou foto por foto. Leu carta por carta. Escorreram lágrimas e mais lágrimas.
Lembranças daquelas pessoas queridas que não se importavam mais com ela. Desejo de estar com elas novamente e viver tudo aquilo mais uma vez. Mas ela não podia.
Tinha jogado tudo isso fora em troca de outras coisas. Coisas essas que não valeram a pena. E ela acabou ficando sem coisa alguma.
No fundo, ela sabia que podia tentar consertar as coisas. No fundo ela queria isso. Mas tinha o medo da rejeição. Medo de perder ainda mais. Medo de não darem valor novamente a isso. Medo. Simplesmente medo. Talvez um pouco de orgulho, mas era principalmente medo de ser rejeitada mais uma vez.
Ela podia ter trilhado outro caminho. Em certo momento de sua vida, ela se viu na possibilidade de poder escolher entre dois caminhos. Ela escolheu um que não valeu tanto a pena como ela imaginava. E acabou perdendo tudo.
O problema era que ela acreditava muito nas pessoas e se importava demais com tudo. Um dia ela achou que era a hora de se importar mais com ela. Achou que fosse a hora dela ser feliz. Abriu mão de coisas em troca da felicidade.
Foi um erro. Felicidade não durou tanto assim. Ela tinha pensado mais nela, pela primeira vez. E nem assim conseguiu. Feriu-se do mesmo jeito. Ela acreditava em muitas coisas. Acreditava que pudessem existir pessoas sinceras. Acreditava em um mundo melhor – pra ela e pra todos. Ela acreditava que o amor realmente pudesse existir. Mas tiraram isso dela também.
Está prestes a se tornar uma pessoa fria. Por mais que tentasse, ela não conseguiria. Era assim por natureza. Sempre se importando até mesmo com quem fez mal a ela. Nada poderia ser feito.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Keep Walking
Quando ninguém acredita em você. É assim que tenho me sentido ultimamente.
Quando você tem dado todas as suas energias possíveis para alcançar um objetivo na vida, mas ninguém coloca fé. Meus olhos inchados e os lençóis encharcados de lágrimas. É como eles estão agora. É o estado como eles vêm ficando faz um tempo.
Todos dizem:' você não vai conseguir, se continuar assim.' Parece que as pessoas tem prazer em ver a derrota de outras. Não deveria ser assim.
Só sei que as forças que me fazem continuar vem de dentro de mim. Algo mais forte, uma voz que diz: 'se você quer, você pode, você consegue.'
E então, o céu se abre e o sol aparece. Vejo que ainda há alguém que torce por mim. Mesmo que eu não saiba. E vem a motivação de continuar nessa luta. Pois sei que no final, tudo isso valerá a pena. Há algo maior que isso tudo.
Enxugo os olhos e coloco os lençóis molhados para secar ao sol. E sigo em frente. Eles acreditando ou não.
Quando você tem dado todas as suas energias possíveis para alcançar um objetivo na vida, mas ninguém coloca fé. Meus olhos inchados e os lençóis encharcados de lágrimas. É como eles estão agora. É o estado como eles vêm ficando faz um tempo.
Todos dizem:' você não vai conseguir, se continuar assim.' Parece que as pessoas tem prazer em ver a derrota de outras. Não deveria ser assim.
Só sei que as forças que me fazem continuar vem de dentro de mim. Algo mais forte, uma voz que diz: 'se você quer, você pode, você consegue.'
E então, o céu se abre e o sol aparece. Vejo que ainda há alguém que torce por mim. Mesmo que eu não saiba. E vem a motivação de continuar nessa luta. Pois sei que no final, tudo isso valerá a pena. Há algo maior que isso tudo.
Enxugo os olhos e coloco os lençóis molhados para secar ao sol. E sigo em frente. Eles acreditando ou não.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Lembranças
Era simples. Ficava praticamente no meio do nada. Mas ao mesmo tempo no meio de tudo. Em volta havia um enorme campo onde, nos dias de verão, dava para colocar a esteira e fazer um pique-nique. Nesse campo também havia algumas árvores que davam frutos. Havia também muitas flores. De todos os tipos. Rosas, violetas, orquídeas, margaridas, girassóis e dentes-de-leão. Com a mudança das estações, as flores davam lugar aos frutos, que davam lugar as folhas amareladas e alaranjadas que caiam sobre a terra. A casa era feita de madeira. Uma varanda a rodeava. Havia também vários objetos feitos de palha como a rede e a cadeira de balanço que se mexiam devido ao vento que soprava.
Então ela entrou naquela pequena casa. Observou os móveis rústicos que decoravam o ambiente. Na sala, um velho (mas que parecia muito aconchegante) sofá, umas revistas e jornais espalhados pela mesa de centro e uma lareira que esquentava as frias noites de inverno daquele lugarejo. Ah, um detalhe que era curioso aos olhos de quem chegava alí: havia dois pares de chinelos velhos jogados no tapete. E na mesa de centro, junto aos jornais, havia duas canecas mais ou menos cheias de alguma bebida que ela não sabia ao certo dizer o que era. Em uma das canecas, pareceu-lhe café passado de alguns dias já. E na outra, o cheiro exalava algum outro tipo de bebida vinda dos sete mares desse mundo. Aquela casa era extremamente familiar. Mas ela não sabia o porquê. Não se lembrava ao certo se já vivera alí ou não.
Ela não entrou pelos outros cômodos da casa pois ficou curiosa ao ver uma pequena escada que dava ao andar superior. Estava escuro e por isso, acendeu a lamparina. Era um quarto. Havia uma cama de casal, duas cabeceiras, uma de cada lado. E cada uma delas havia um abajour. Os lençóis estavam esticados perfeitamente e bastante limpos. Naquele quarto também havia uma mesa com alguns papéis, mas ela não se interessou por eles. O que lhe chamou a atenção foi uma pequena e velha gaita que estava sobre a tal mesa.
Cuidadosamente, ela tirou a poeira que havia no velho instrumento de sopro e pôde ver gravadas duas iniciais, que não soube distinguir pelo modo grosseiro que foram entalhadas. Então, olhando para os papéis sobre a mesa, ela pôde perceber que havia alguns versos no papel e em outros, algumas partituras. Eram canções que não foram terminadas. O inicio de uma certa canção lhe veio a cabeça. Só o inicio. Pois não sabia o final. E então, percebeu que era a mesma canção dos rascunhos sobre a mesa.
De repente, ela se recordou de tudo e pôs-se a chorar. Dessa vez não eram lágrimas de alergia. Eram lágrimas e soluços infinitos de uma angústia sem fim. Ela finalmente se recordou daquele aconchegante lugar. Daqueles móveis, daqueles objetos, do sofá velho e dos pares de chinelo e também da gaita com as iniciais gravadas. Lembrou dele. Lembrou de tudo. E chorou pois nada daquilo a pertencia mais. Eram somente lembranças de outra vida. Uma vida que fora dela. Mas que diante de tantos acontecimentos, tivera que ficar guardada no passado.
Ela saiu daquele quarto, desdeu as escadas, correu pelos campos floridos. Quis sentir o vento sobre seus cabelos e seu rosto. Quis chorar. Quis esquecer. Quis não esquecer. Foi uma vida maravilhosa e ela queria tê-la de volta. Mas não podia. Já era tarde demais.
E chorou no silêncio de sua alma. Pois era tudo o que lhe restara.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Existe o sol, a casinha, o vinho, as lágrimas. E existe o amor.
O sol nascia.
O relógio, como de praxe, tocou às cinco e quarenta e cinco da manhã. E voltou a tocar novamente às cinco e cinquenta e cinco.
Ela olhou pro lado e viu o vazio. Ele havia partido. Desejou permanecer alí por mais tempo. Desejou dormir pra sempre. Mas o dever a chamava. Levantou e foi até o banheiro para lavar seu rosto. Dirigiu-se até a cozinha, tomou um copo de leite. Arrumou-se, maquiou-se.
Antes de sair, olhou para o espelho e passou a mão entre algumas mechas de cabelo. Ajeitou com delicadeza, prendendo os fios no alto da cabeça. Partiu porta a fora, por entre as ruas tristes e desertas daquele inverno gelado.
Ela caminhava lentamente, indo em direção ao seu dever. E enquanto o fazia, pensou nele mais uma vez. Fazia muito frio. O vento era de cortar os lábios e de fazerem suas extremidades ficarem extremamente frias. Mais frias que o de costume. Pensou nele mais uma vez.
Chegando ao seu destino semanal, cumprimentava as pessoas gentilmente. Um riso aqui, outro acolá. Ao final do expediente, voltava pra casa ansiosa e saudosa. Ao chegar a sua casa, depois de um prazeroso banho, foi até a cozinha. Era um dia especial. Todos os anos ela se lembrava dessa data e fazia questão de preparar aquele jantar. O jantar que se repetira por tantos e tantos anos.
Como quase involuntariamente, suas mãos dirigiram-se para o velho armário que havia na parte de cima e pegou duas taças de cristal. Sim, ela pegou duas taças, apesar de estar completamente só. Escolheu, com muito bom gosto, o melhor vinho de todos. Ajeitou a mesa, tirou a comida do forno e esperou.
Sob o calor da lareira que havia naquela simples casinha de madeira, esperava por alguém. As taças brilhavam tanto que podia-se ver o reflexo da janela e o que havia além dela. Do lado de fora, havia frio. Mas havia também uma cadeira de balanço e uma rede de palha, feita a mão. E os dois objetos, a cadeira e a rede, balançavam mutuamente devido ao vento cortante que soprava naquela varanda. Do lado de dentro, além do calor da lareira (e só da lareira), havia ela e havia a solidão. Mas havia também uma perceptível esperança sobre sua face.
Uma lágrima escorreu de seus olhos. E ela continou olhando fixadamente para as taças e esperou mais um pouco.
E todos os dias eram assim. Ou quase todos eles.
A tarde ia caindo, o sol ia se pondo. As lágrimas iam rolando.
Mas eram lágrimas de felicidade. Nada disso foi em vão. Pois alguém batera a sua porta e entrara na casa. Casa que era não tão grande, nem tão pequena. Simples, mas muito aconchegante. E ela ouviu a voz:
- Boa noite, meu amor! - disse ele.
Ela sorriu. E antes que alguém pudesse pensar e dizer qualquer coisa, antes mesmo de se deliciar do vinho escolhido com tanto gosto, eles já estavam se amando. Pertencendo um ao outro por instantes que pareciam eternos. Instantes que não contamos cronologicamente. O tempo era só um detalhe. Aquele foi o momento em que paz invadiu aqueles corações cansados. Corações que, definitivamente, não pertenciam ao mundo em que conhecemos.
E o sol se pôs.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Being happy

Mudei. Novamente. Não que eu me canse das coisas facilmente. Não é isso.
É que a vida andou me mostrando outros caminhos que eu não conhecia. Vou explicar já.
Andei um tempo sem escrever e sem inspiração alguma. Muita coisa vem acontecendo.
Coisas boas e ruins. Parecem que quando elas vêm, vêm todas ao mesmo tempo.
Só quero desfrutar da minha vida em paz, sem nenhuma interferência.
Nesse tempo que passou, encontrei o amor e a felicidade. Encontrei-os dentro de mim mesma. Depois descobri que eles sempre estiveram lá; eu é que não os enxergava.
Assim, eu não vou e nem quero entrar em detalhes. Eu só queria dizer que nem tudo são sempre flores. Vivemos tempos difíceis e problemas na nossa vida aparecem o tempo todo. Eu procuro tentar contornar essas situações da melhor forma possível. Muitas vezes, posso acabar machucando alguém e se o fiz, desculpe. Nossas escolhas sempre geram consequências. Sejam quais forem elas.
Já levei muito tapa na cara, já fui enganada diversas vezes, já vi muita coisa. Mas nem por isso, vi tudo.
Aprendi que quando uma oportunidade entra pela sua porta, você tem que agarrá-la. Ela já tinha entrado 2 vezes na minha vida e deixei escapar sempre pensando os outros.
Recentemente, ela entrou pela terceira vez. Pensei mais em mim e vou aproveitá-la. Não que eu esteja deixando aflorar um sentimento egocêntrico. Não é isso. O fato é que me privei de muita coisa dessa vida por causa de terceiros e por causa disso, fui infeliz. Assim, digamos que eu tenha meus motivos agora.
No final das contas, eles podem falar mal de mim e fazer intrigas. Eles julgam o tempo todo, disso nós sabemos. E sinceramente? Não estou mais me importando.
Sempre me importei demais.
Agora estou sendo feliz. Independente do julgamento deles.
Todas as pessoas deveriam fazer a mesma coisa: cuidar mais de suas vidas, cuidar mais de si mesmo, fortalecendo a sua alma. O que vier depois, garanto que é lucro.
Ps: Como vocês repararam, eu mudei o nome deste blog novamente. "Et invencien" é uma expressão latina, que significa "ele vencerá" ou "achará", "encontrará", "inventar" Vocês devem estar se perguntando quem ou o que. Essa eu deixo pra vocês descobrirem. Penso que somente os bons de alma e coração entenderão e saberão "quem" ou "o que" será encontrado, inventado e reinventado e que no final, vencerá.
No final das contas, ele sempre vence.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Ainda há razões para crer em um mundo melhor

Dia desses vi uma propaganda muito interessante de um certo refrigerante. Ela dizia algumas coisas ruins que acontecem no mundo e fazia umas comparações com algumas coisas boas que também acontecem. E isso me chamou muito a atenção.
Foi reconfortante saber que para cada tanque que é fabricado no mundo, há 131 mil bichinhos de pelúcias e que para cada Bolsa de Valores que se despenca, há 10 versões de "What a Wonderful World". Que para cada pessoa corrupta, há 8 mil doando sangue e que para cada muro que existe, há 200 mil tapetes de "Bem Vindo".
No mundo são imprimidas mais notinhas de Banco Imobiliário que dólares e há mais vídeos divertidos na internet do que notícias ruins. Para cada cientista que trabalha na fabricação de uma bomba atômica, há 1 milhão de mães fazendo bolos de chocolate e que "Amor" tem mais resultados no Google que a palavra "medo".
Não sei se são dados verdadeiros ou se é só estratégia de marketing. Mas me passou uma mensagem boa e quis vir aqui e dividir com vocês. Pode ser que essa grande empresa não seja lá das mais corretas. Eu não sei. Porque o que importa é que, apesar de todas as coisas, há razões para crer em um mundo melhor.
sexta-feira, 11 de março de 2011
As águas de março

"São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida do teu coração"

E vem chegando o final da estação. Acabou os sorvetes, o dia na praia, o banho de cachoeira e todas essas coisas que a gente só faz no verão. Só restou a pele bronzeada. Que também vai acabar um dia. Só restou essas águas de março, que vem encerrando esse período. Lavando todas as mágoas e coisas ruins que ficaram pra trás. Lavando a alma. Eu espero que também traga coisas melhores. O meu coração espera por dias melhores que ontem.
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